7 de fevereiro de 2011

CISNE NEGRO: Aronofsky volta a boa forma de "Réquiem para um Sonho"

A perfeição em cena



Vocês não fazem ideia do quanto é bom sair do cinema sentindo que acabou de assistir um dos melhores filmes que inicia, praticamente, a nova década, sem falar da ótima sensação de ver um diretor brilhante como o Darren Aronofsky saindo de um filme tão normal com O Lutador e criando mais uma obra-prima que, assim como O Iluminado de Stanley Kubrick, só será realmente apreciado na próxima geração.


A história do filme se foca na bailarina Nina, que deseja mais do que tudo interpretar o Cisne Branco do famoso clássico do bale: O Lago dos Cisnes. Porém, Nina não pode interpretar apenas o Cisne Branco, mas como o Negro também. Com o tempo em que Nina falha ao interpretar o tão difícil cisne, Lilly, uma novata, acaba se tornando numa excelente bailarina para fazer o papel. Nina só sente uma coisa: a tensão de perder o papel principal.


Primeiro: palmas para Aronofsky (oh nome difícil!). Existem diretores que sabem que a história é maior que a direção e fica apenas filmando como alguém de fora, como o Christopher Nolan em A Origem (estou vendo um monte de gente vindo me matar, mas acredito nisso: Nolan deixou o filme falar por si e farei uma postagem para explicar o que eu acho do diretor). Já Aronofsky não. Ele quer estar dentro de tudo, ele quer fazer parte do próprio filme, ou melhor, ele quer ser a alma de sua obra. A história de Cisne Negro poderia facilmente ter sido destruída por qualquer diretor que apenas filmasse. Cada movimento, cada sequência, cada olhar é sufocante.


Além disso, Cisne Negro possui muitas mensagens subliminares. A mãe da protagonista, por exemplo, creio que é culpada de toda a sua loucura. Na primeira cena do arranhão ela pergunta: "De novo?". Eis então a verdade revelada: a mãe de Nina sempre a reprimiu, seja sexualmente ou não, afinal, porque ela deseja tanto que sua filha tire a roupa e durma com ela? Nina sempre foi uma menina pura, simples, bem educada e tudo o mais, mas nunca realizou seus desejos, que acabaram se tornando em suas alucinações.


Claro, o filme é feito praticamente de um personagem em confronto com ele mesmo: Nina. Uma atriz qualquer poderia acabar com a personagem e assim levar o filme junto, mesmo com a excelente direção. Mas não temos uma atriz qualquer. Nós temos a Natalie Portman. A atriz mostra muito bem o lado inocente de Nina. Mas seu ápice sufocante é quando a vemos como o Cisne Negro, com cada olhar, movimento e jeito que nos faz morrer e nascer novamente. Portman merece o Oscar há muito tempo, mas o que ganhará será para marcar sua carreira. Alias, já não marcou?


Cisne Negro é um filme para se sentir. Eis o motivo de tanta discussão: enquanto alguns amam o filme outros odeiam. Mas o tempo vai dizer a verdade. Quando eu estava no carro dos meus pais eu comentei: "Sabe quando um diretor faz uma obra-prima, pra mim? Quando ele consegue realizar uma cena que, além de não precisar de nenhum diálogo, consegue ser transmitida pela trilha sonora". O filme de Aronofsky é isso: puro cinema. O prêmio de Melhor Filme pode ir para A Rede Social ou para O Discurso do Rei, tanto faz. Mas o de melhor direção deveria ir para as mãos desse grande diretor.
OBS: Pra quem quiser, escrevi uma crítica para o site ArteView, que se tudo der certo, será mais um site para o qual eu escreverei! A crítica que fiz para eles está bem mais trabalhada porque fiquei trabalhando nela durante dois dias. Espero que gostem! Pra quem quiser é só acessar aqui.

3 comentários:

Alan Raspante disse...

Concordo contigo em relação à ótima direção do Aronofsky. Ele realmente participou do filme, a perfeição no fim era algo que ele tbm desejava...!

Portman esteve ótima no papel!
[]s

Cristiano Contreiras disse...

Seu texto mostra bem o senso psicológico deste belo filme, ao meu ver: uma obra prima incontestável!

Felipe Guimarães disse...

Alan, muito pefeito esse filme! Pra mim, o melhor!

Cristiano, brigado! Disse tudo:uma obra prima incontestável!