30 de abril de 2011

V DE VINGANÇA - O filme fica ainda mais belo em Blu-Ray

Olha como minha música é explosiva

E ai pessoal? Tudo bem? Comeram muitos ovos na Páscoa? Pois é, eu não. Ok, se eu fosse pedir alguma coisa na Páscoa não seria ovo, já que eu sempre espero chegar uma bela de uma liquidação para poder comprar mais e por menos (anote isso). Mas eis que, num belo domingo, meus pais foram ao supermercado e havia uma Tv super barata, pedindo para ser comprada. Resultado: agora tenho uma televisão nova! E de tão barata que ela estava meus pais aproveitaram e compraram um Blu-Ray que junto vem um mês de graça na locadora. E, entre os tantos Blu-Ray's que estou alugando, um deles era o de V de Vingança.

A história é sobre V, um homem mascarado que busca se vingar de todas as pessoas que o torturaram e derrubar o governo que reside na fictícia Inglaterra. Durante seu percurso, V se depara com Evy. Além de criarem uma história de amor em plena revolução, V ensina à Evey a verdade sobre o governo e de nunca mais ter medo de enfrentar as seus medos e desejos.

Mesmo assistindo ao filme com uma deliciosa legenda de português de Portugal, V de Vingança continua o mesmo filme incrível que assisti em 2005 ou 2006. Mais incrível ainda é saber que o filme foi feito por um estreante, James McTeigue, e pelos irmãos Wachowski, realizadores de Matrix e um filme que eu sei que todo mundo dessa linda Terra ama (sarcasmo!): Speed Racer. Porém, V de Vingança é de longe o melhor filme realizado pelos irmãos.

E por incrível que seja, mesmo mascarado, V deve ser um dos melhores papéis de Hugo Weaving, o eterno Agente Smith de Matrix, Elrond da trilogia O Senhor dos Anéis e Anthony de Priscila, A Rainha do Deserto. É incrível como desde o começo nós, espectadores, criamos certa simpatia pelo "vilão" mascarado. Os jeitos que Weaving cria para o seu personagem e para a sua atuação são fantásticos! E claro, não poderia me esquecer de Natalie Portman em um de seus melhores papéis, mesmo não gostando da cena com o bispo, pra mim a única cena mal construída (falsa) do filme.

De resto, V de Vingança é uma maravilha! Tanto na direção do filme como na direção de fotografia as cenas de explosões são provas da excelente sincronização entre música e imagem que o filme possui! Me faz lembrar muito do modo que o Kubrick fazia para juntar música com vídeo. O roteiro é bem construído, com uma história realmente boa e surpreendente com cada fato que se desenrola.

Sendo assim, se você é fã de filmes baseados em HQ's, V de Vingança é praticamente uma obrigação sua de assistir. E pode ter certeza: se você amar o filme com todas as suas forças, você nunca mais vai se esquecer do que aconteceu no dia 5 de Novembro. Ok, provavelmente você vai esquecer, mas quando você ouvir alguém falar na tal data com certeza V de Vingança retornará em forma de flashback em sua cabeça. Ok, isso também pode não acontecer, mas vai saber? Tudo pode acontecer...

26 de abril de 2011

PREÇO JUSTO JÁ!

Muitos de vocês já devem ter assistido o novo video do Felipe Neto com a campanha #preçojusto (caso não, clique aqui). E é engraçado que antes mesmo de ver o vídeo eu estava escrevendo um texto para o folhateen (depois publico aqui para vocês!) sobre os motivos da pirataria existir e como resolver o problema, uma vez que os políticos não fazem nada e que os jovens e a sociedade brasileira devem se manifestar. Bom, a campanha é o seguinte: entra nesse site e cadastre-se! Vamos ver se ocorre o mesmo que o Ficha Limpa! Na torcida!

21 de abril de 2011

CREPÚSCULO DOS DEUSES - Norma Desmond sonha em voltar para casa


"Eu sou grande. Os filmes que ficaram menores"

Tenho certeza de que se alguém me perguntasse: "Fê, quero começar a ver filmes antigos. Você me aconselharia algum?", Crepúsculo dos Deuses não seria o primeiro filme que eu indicaria. Um Chaplin, provavelmente, um musical como O Mágico de Oz ou Cantando na Chuva, mas não Sunset Boulevard (título original do filme). E isso aconteceria porque Crepúsculo dos Deuses não é um filme para poucos apreciadores, mas sim para os apreciadores certos: os que conhecem, mesmo que vagamente, o cinema antigo. Uma pessoa que gosta de cinema mas que nunca tenha visto uma obra dos anos 30/40 ou 50 pode achar muitas cenas clichês, exageradas e o filme sem graça, e que são na verdade cenas memoráveis e um dos melhores filmes já feitos.

A obra de Billy Wilder gira ao redor de Norma Desmond, uma esquecida e rica atriz do cinema mudo que pretende voltar aos estúdios da Paramount e se tornar uma estrela novamente. Para tal feito, Norma pede - ou melhor, obriga- que o roteirista Joe Gillis ajude-a com seu roteiro, que na verdade é uma catástrofe.

Da obra inteira eu só tenho uma coisa a reclamar: a narração. Se muitos críticos ficavam implicando com a narração de Tropa de Elite, não sei porque colocam Crepúsculo dos Deuses num pedestal. É engraçado, ou melhor, contraditório que a personagem de Norma fique questionando o uso de tantas palavras no cinema falado e Wilder esbanje narração em seu filme até dizer chega. Mas acredito eles deixam que isso ocorra porque não é esse detalhe que impedirá do filme ser um dos maiores já realizados na história do cinema.

Mas tirando esse detalhe da narração, a obra de Wilder - a primeira que vejo - é um dos filmes obrigatórios para a coleção de muitos cinéfilos. Diálogos incríveis, fotografia perfeita (sendo as provas disso a cena do "cinema particular" e a última cena) e uma história que prende o espectador até o final. É cinema falando de cinema, e melhor: o antigo cinema, algo que para os cinéfilos que querem conhecer e se interessam pelo mundo cinematográfico é um prato cheio!

E não há dúvida: assim como Natalie Portman dominou Cisne Negro, Johny Deep marcou presença em Piratas do Caribe e Bette Midler domina Gypsy (1993), todos os refletores de Crepúsculo dos Deuses estão voltados para a imagem de sua atriz principal, Gloria Sawson, que assim como a personagem principal era uma estrela do cinema mudo e que ficou esquecida até retornar ao cinema com essa obra de Wilder. Coincidência? Claro que não. Sawson foi uma escolha do próprio Wilder pelo seu histórico, não há dúvida, mas ainda mais: por seu talento. Se a atuação de Sawson não é a melhor de todos os tempos, é uma das maiores e isso ninguém pode negar!

Se você já tem uma experiência em filmes antigos, pode ter certeza que Crepúsculo dos Deuses só está esperando para ser devorado por você. Mesmo com esse detalhe da narração, a obra de Wilder é cinema falando de cinema, é arte criticando arte, é simplesmente uma obra-prima que nunca será esquecida. Ou assim teria que ser. Se o filme mostra que antigamente as atrizes eram esquecidas, nos dias de hoje ocorre a mesma coisa, mas com os esquecidos diretores de grandes obras que nunca mais voltaram para a tela do cinema ou para o formato de DVD.

18 de abril de 2011

O PREJUÍZO DA PIRATARIA

Isso vai afetar meu rum?


Não pessoal, não vou começar uma propaganda antipirataria por aqui (aliás, propagandas antipirataria são horríveis. "Posso dar o troco em bala?". Quem que fez esse lixo!?). Mas voltando: quase não farei isso. Para vocês terem uma ideia, aproximadamente 45% dos brasileiros compram DVD's piratas, causando um prejuízo de aproximadamente 1, 6 bilhão de reais para a indústria cinematográfica nacional (e isso apenas de venda de DVD's em lugares físicos, sem considerar downloads pela internet). Chocados? Me too baby, me too.


Sempre defendi dois modos de pirataria: o primeiro é aquele em que o filme está demorando muito para chegar aos cinemas brasileiros, algo em torno de 2 meses, e você quer muito assistir, como foi o caso de muitas pessoas com a demora do lançamento de Cisne Negro. Mas o meu lema sempre foi: "Gostou do filme? Então agora vá assisti-lo no cinema". O segundo são os filmes que nunca chegam aqui - e que nem preciso falar que são muitos - e é mais do que certo baixar - na minha visão. Cabaret, por exemplo, nunca teve uma versão nacional do DVD e a mídia importada custa 80 reais (imagine o quanto disso não é imposto que deveria estar fiscalizando a pirataria e investindo no cinema brasileiro. Bastante, acredite!).


De resto, não concordo com nenhum, além do doméstico. Se existe um DVD do filme você compra ou aluga. Se estiver muito caro, faça uma cópia e depois compre o original, sei lá. Só sei que: imagine se alguém pudesse copiar seu trabalho e sair distribuindo-o pelas ruas? Acho, só acho, que você não ficaria muito feliz com o que está acontecendo. Agora finja que você decidiu se tornar numa/num cineasta. Caiu a ficha, não?


"Ah, mas você quer que eu pare do nada?". Olha, se isso é um vício pra você, vai diminuindo aos poucos. Sei da falta da fiscalização (é triste ver policiais comprando DVD's piratas na Av. Paulista ao invés de fiscalizá-los) e do alto valor do ingresso do cinema, principalmente para pessoas que pagam inteira e que pretendem levar a toda a família. Mas é sempre assim: evite. É o trabalho de outro que está sendo prejudicado - e no futuro, espero - o meu também. Você gostaria que o seu trabalho fosse pirateado? I don't think so. Sei que esse é um assumto delicado, mas essa é a minha opinião.

15 de abril de 2011

DICA PARA OS FÃS DE MUSICAIS NA VIRADA CULTURAL!

Achei que era impossível, mas consegui achar alguma coisa que pudesse chamar a minha atenção para ir à Virada Cultural em SP. E melhor! É uma das coisas que mais amo além de cinema: cinema musical (ah vá!). Para os amantes do gênero fica a dica: no Palácio do Cinema haverá uma programação só com musicais, creio. Mesmo que todos não sejam, Hedwig, Cabaret, South Park, Hair, Jesus Cristo Superstar, Evita e Dreamgirls são alguns musicais conhecidos e desconhecidos da vasta lista da programação. Espero que, assim como eu, vocês tenham a oportunidade de assistir esses filmes! E vamos pra Virada (ou não, né? Só o futuro vai dizer). Se você quiser mais informações é só clicar aqui e aqui. Até mais pessoal!

14 de abril de 2011

RIO-O filme marca mais uma vez a presença do Brasil nas animações

"That's why we love Carnaval!"

Embora pareça fácil falar sobre Rio - já que é um filme que fala sobre o Brasil - a realidade é que a dificuldade é extrema. "Ah, é só digitar". Quem me dera que fosse assim. Normalmente meus textos saem facilmente e depois leio, releio, releio, releio e assim vai. Rio é complicado, pois existem diversas coisas para falar. Primeiro do filme em si, depois de sua mensagem internacional e nacional, e em seguida falar a mensagem que as crianças podem aprender com ele, entre tantos outros assuntos. Porém, vou me focar nesses três tópicos. Então vamos por parte.


Rio conta a história de um pássaro Blu, que ainda filhote é sequestrado de sua casa. Porém, ao chegar aos EUA, Blu escapa de sua gaiola e vai viver com Linda. Após alguns anos, Linda recebe em sua livraria o brasileiro Túlio, que pede a ida dela e de Blu ao Rio de Janeiro, uma vez que Blu é o último macho de sua espécie e precisa se acasalar para que a espécie não seja extinta. Mas durante a viagem, as coisas não acabam como planejadas.


Do filme em si, Rio é uma animação linda. Colorida, bem feita, bem estruturada; é um bom trabalho. Na verdade é quase impossível uma animação ser mal feita nos dias de hoje, não? Mas além de tudo isso, o filme possui cenas musicais bem encaixadas, sem ficar aquela coisa solta. E o principal foco na animação de Carlos Saldanha é a paisagem do Rio de Janeiro, exaltando a beleza da cidade e da fauna e flora carioca.


Sobre a imagem nacional, o filme peca. "Onde já se viu macaco na rua? E pior: os macacos assaltam os turistas! Que tipo de imagem queremos dar ao mundo?". Calma, tudo tem solução. Primeiro: os macacos são aliados dos vilões, certo? Logo eles são do mal, assim a criança vai entender, ou deveria, que não se deve roubar. Para a visão internacional, o filme cumpre seu papel. Afinal, a animação nos transporta para toda a energia e felicidade presente no Rio de Janeiro e apresenta para o mundo seus vilões como qualquer cidade mostrada em animações - sendo na realidade sempre pior. A França, por exemplo, é o povo mais preconceituoso em animações, não? É só olhar o que os franceses fazem em O Corcunda de Notre Dame e A Bela e a Fera. Se bem que isso é a realidade dos dias de hoje, concordam?


Mas discussões internacionais a parte, vamos voltar ao assunto: as crianças podem aprender no filme o que a maioria das animações defende: amor, amizade, fazer o bem e não o mal, todas essas coisas comuns que assistimos desde que animação é animação. E, surpreendentemente, como eu já tinha falado antes, o filme possui cenas musicais muito bem realizadas. Embora eu tenha assistido legendado, a mistura entre o português e o inglês é tão positiva para o americano, que acaba entendo a letra, quanto para o brasileiro, que vê seu idioma num filme.


Assim, se você for um adulto ou adolescente que quer assistir Rio só para tentar achar algum detalhe para depois dizer: "Não é assim no Brasil! O filme tá distorcendo tudo!", então nem vá assistir Rio. A animação é feita para se divertir e aproveitar, mesmo que contenha uma história leve e respeitada e alguns estereótipos gringos que deveriam ser quebrados pelo diretor brasileiro. Porém, mais uma vez o cinema brasileiro se mostra capaz de entrar no cinema internacional. Falta um investimento maior, não?

9 de abril de 2011

FILMES RESUMIDOS NUM PARÁGRAFO #7

Eu não posso fazer essa escolha!


Fazia tempo que eu não escrevia para essa área do blog. Na verdade, como eu já tinha dito antes, a frequência de postagens no blog está ficando cada vez menor, mas sempre estarei presente, seja num intervalo de apenas um dia ou num intervalo de quase quatro dias. Mas voltando ao assunto: sempre estarei aqui e principalmente para falar de filmes!

Faz uma semana que eu fui ao cinema assistir ao filme Sem Limites, que é do mesmo diretor que do O Ilusionista. Eu gosto bastante do Ilusionista, mais do que O Grande Truque, que muita gente ama com todas as forças. Mas não consegui gostar de Sem Limites e eu estava pensando que estava sendo um chato novamente que não gosta desses filmes blockbuster. Ainda bem que eu estava na presença de mais três amigos que gostam desse tipo de filme e que também não gostaram. A ideia é boa e a fotografia também, mas existem tantas falhas no roteiro que não dá para imaginar que o final destinado ao protagonista e ao vilão seja possível.


Outro filme que assisti recentemente é o famoso dramalhão A Escolha de Sofia. Gostei bastante do filme, só achei sua primeira hora muito grande. Muitos dizem, e eu concordo, que essa parte poderia ser resumida em trinta minutos, pois as partes realmente boas são as partes em que Sophie está no campo de concentração e quando faz sua famosa escolha, sendo essa uma cena extremamente pesada, perfeita para pessoas com corações fracos, prontos para chorar por qualquer coisa. Meryl Streep mereceu o Oscar, pois mostra que consegue interpretar todas as situações de sua personagem com maestria, sem falar que fica irreconhecível quando começa a falar polonês.

7 de abril de 2011

A HIPOCRISIA ADULTA NO RIO RELEMBRA O CASO DE COLUMBINE

Você se lembra da gente?


Foi por volta do ano passado que comecei a assistir os documentários do diretor norte-americano Michael Moore. Sabe aquele cara gordinho que faz um monte de documentários, sendo o mais famoso aquele que fala sobre os precedentes da Guerra do Iraque e que culpa o Bush por tudo? "Ah, lembrei!". Pois é, mas entre os documentários realizados por Moore, o que eu aprecio mais, além de Fahrenheit 11/09, é Tiros em Columbine (o qual já publiquei aqui e quem quiser ler, clique aqui). Para quem não sabe, Columbine conta a história de dois adolescentes norte-americanos que entraram numa escola e atiraram em seus colegas e professores e depois cometeram suicídio.


Mas não é disso que vou falar. O que vou falar é sobre o que aconteceu hoje no Rio de Janeiro. Uma das maiores tragédias nacionais nesse ano - que ainda não acabou. Agora, que poderia ser evitado, poderia. De acordo com alguns jornais, nem ao menos porteiro a escola tinha! Ou seja, qualquer pessoa pode entrar na escola e claro, como muitos apontaram, podem começar um tráfico no próprio colégio.


E assim como os norte-americanos culpavam o Marilyn Manson pelo que ocorreu em Columbine, a mídia brasileira está falando que o atirador, Wellington Menezes de Oliveira, era muçulmano. Que? Jura? Estão mesmo relacionando o 11/09 com esse atirador? Vocês acham mesmo que se ele fosse relacionado com algum grupo terrorista ele não teria atacado um lugar mais prático, importante e polêmico como a prefeitura do Rio? Certamente.


Sem falar que quando eu assisti Columbine eu comentei: "Estou só esperando isso acontecer no Brasil". Mas não falei isso com o pensamento: "Ah, vai ter isso no Brasil porque a gente é um bando de louco e meu país é um lixo". Não! Não penso assim. Apenas somei os fatos: armas + tráfico nas escolas + falta de segurança = alguém morto. Não é difícil pensar que essa possibilidade pode ocorrer, mas como também está próxima.


Parece até que toda nação, seja nos EUA ou no Brasil, precisa de um grande alarde para que conserte os erros que cometeu. Mas os adultos - responsáveis pelos altos cargos políticos de nosso país - preferem culpar os outros, ao invés de culparem-se pelo que está acontecendo, e assim acabam inventando desculpas de todos os tipos e choram como se as vítimas fossem seus parentes (aliás, chorar é o que fazem de melhor. Lamentar ao invés de consertar, né?). Então vamos esperar que as providência sejam tomadas e que 11 adolescentes não tenham que morrer por uma falha do trabalho dos adultos que governam o nosso país.

5 de abril de 2011

EVITA- Versão brasileira apresenta grande elenco

Nada devemos aos nossos vizinhos!


Tudo que eu disse quando escrevi sobre o filme Evita continua valendo para a peça: é uma onipresença tão grande de músicas que a história acaba ficando toda atropelada. Webber não tem noção de timming. O público precisa respirar um pouco para digerir tudo o que está acontecendo, ainda mais que as letras não são fáceis. Mas algo não há como negar: a versão brasileira é bem superior que a versão cinematográfica.


Embora o enredo seja o mesmo, o elenco não é e essa é a grande diferença. Quem encarna Eva Perón nos palcos brasileiros é a atriz Paula Capovilla, que é exatamente a Evita que eu queria que a Madonna fosse. Ela sim é uma verdadeira Eva Perón, com uma estupenda voz e excelente atuação. O mesmo pode se dizer de Fred Silveira, mil vezes melhor que o Che de Antonio Banderas, usando um tom sarcástico perdido pelo ator da versão cinematográfica. Daniel Boaventura está bom como Perón, mas seu papel não tem muito destaque, porém é bom saber que o personagem possui canções próprias, perdidas no filme.


Mas nem tudo é uma beleza na produção de Jorge Takla. Sim, o elenco é um dos melhores que vi nos palcos brasileiros, porém o cenário ficou a desejar. Sendo versão réplica ou não-réplica, o que são as projeções de nuvens, moedas e arco-íris? Parecia que eu estava assistindo O Mágico de Oz. Por mim, o cenário poderia ser facilmente um só: a própria cidade de Buenos Aires, o que dispensaria as projeções e poderia utilizar mais dos 45 atores em cena.


E se orquestra alta é um problema nos nossos palcos, com Evita não seria diferente. Se já é difícil compreender a história, tentar compreender a música é outro desafio, já que não podemos parar para entender e montar cada parte, pois não há intervalo entre uma música e outra. Mas, mesmo assim, a versão brasileira é superiora ao filme, disso não há dúvidas, mas continuo não gostando do enredo da peça, porém percebo suas qualidades. Isso não posso deixar de lado.

3 de abril de 2011

VIP'S- Wagner Moura concretiza-se novamente como "O" ator

Esse hijo de una puta conseguiu de novo boss!


Com o público alcançado em Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, o cinema brasileiro mostrou ter potencial e capacidade para entrar no mercado internacional e o ator Wagner Moura aproveitou a situação para mostrar que não era apenas um ator de novelas. Não apenas excelente, mas versátil, talentoso e expressivo também - algo que pouco se vê hoje em dia nas telas da televisão - o ator tem marcado sua presença no cinema e na TV. Se Fernanda Montenegro consagrou-se como a maior atriz brasileira de todos os tempos, Moura segue o mesmo caminho, tornando-se o maior ator brasileiro vivo. Uma prova disso é seu novo filme: VIP's.


Uma história fictícia baseada numa história real, Moura dá vida a Marcelo, um menino que é esculachado pelos colegas da escola e que deseja mais do que tudo tornar-se num piloto de aviação, assim como seu pai. Já no início do filme, Marcelo começa a imitar seus colegas da escola, e o que começa como uma pequena brincadeira acaba tornando-se num vicío e doença tão grande ao ponto do personagem se disfarçar de Henrique Constantino, um dos herdeiros da GOL.


Embora para alguns o roteiro possa parecer tão óbvio, para alguns não é tanto assim. Acho que quando assistimos filmes legendados, a legenda acaba nos auxiliando a entender e digerir cada detalhe do filme. Já em filmes nacionais ou dublados temos que prestar mais atenção, pois cada detalhe perdido pode acabar como uma grande revelação no final. E foi assim que fiquei tanto com a história quanto a atuação de Wagner Moura.


Moura mostra-se tão confiante em seus trabalhos que torna-os realistas. Em VIP'S não foi diferente. Acreditamos que cada personagem que Marcelo interpreta, seja Carrera, Henrique, Juliano, são reais e diferentes e tornam-se personagens do próprio personagem. No caso de Moura é como se ele estivesse interpretando um personagem dentro de outro personagem (daqui a pouco vem sonho e entramos de novo na A Origem). A cena que Moura imita Renato Russo é absurdamente idêntica ao cantor! Mesmo imitando os jeitos do vocalista do Legião Urbana, Moura cria uma autenticidade sua sobre o personagem.


Asism, VIP's não é um Cisne Negro ou Janela Secreta, mas consegue transmitir a ideia de alguém tentando se encontrar até níveis extremos, o que Bruna Surfistinha tinha como objetivo e não conseguiu. Toniko Melo acerta em seu primeiro longa-metragem e tem capacidade para melhorar ainda mais! VIP's praticamente fechou o ciclo de filmes do Oscar porque é praticamente um resumo de tudo que vimos no ano passado: finais suepreendentes, roteiro inteligente, atuações arrasadoras e créditos repletos de influência pop. E pasmem: quase sem narração. Sim, o cinema brasileiro está evoluindo e é nesse bonde que tenho que entrar!