6 de dezembro de 2014

O REI LEÃO - O MUSICAL: Se você ainda não viu é melhor correr


Em 2014, pelo que me recordo, vi apenas dois musicais em cartaz em SP: O Rei Leão e O Homem de La Mancha (o qual também farei uma postagem em breve). Ainda preciso ver Cazuza: Pro dia Nascer Feliz e infelizmente perdi Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 minutos. Sei que muitos outros musicais foram lançados esse ano em São Paulo, mas estes foram os que mais chamaram a minha atenção. E é inegável: o espetáculo do Rei Leão é um marco em diversos sentidos e realmente foi um marco para a cidade de São Paulo, permanecendo quase dois anos em cartaz e sendo um dos maiores sucessos do teatro musical brasileiro dos últimos anos.

A história é a mesma que todos conhecem do clássico desenho da Disney. Todos os animais se reúnem na Pedra do Reino para presenciar o nascimento do herdeiro do trono, Simba. Anos depois, seu pai, Mufasa, passa para Simba tudo que ele precisa aprender para ser um bom rei. Enquanto isso, o irmão de Mufasa e tio de Simba, Scar, deseja o trono mais do que tudo. Após um trágico acidente, Simba foge e Scar assume o trono, destruindo o reino. Anos se passam e Simba precisa retornar para o reino e tomar seu lugar como herdeiro legítimo.

Com certeza O Rei Leão é o musical mais diferente da Broadway e da Disney para os palcos. Prova disso é o fato de muitos musicais da Disney serem, nada mais, nada menos, do que adaptações bem fiéis do que ocorre nos desenhos (o que pode explicar o péssimo espetáculo da A Pequena Sereia, que simplesmente não funciona nos palcos). Assim, tudo o que ocorre no desenho é apenas transportado para os palcos. Mas não O Rei Leão. Primeiro pela decisão dos figurinos, simplesmente incríveis e que faz o musical único na Broadway. Segundo pela decisão dos cenários, criados exatamente para interagir com os figurinos. Enfim, foi uma adaptação baseada em diversos elementos da cultura africana e uma excelente escolha da diretora, Julie Taymor, pois faz com que a montagem do espetáculo seja impecável e bastante orgânica, em que tudo se interage.

Porém, nem tudo são maravilhas e alguns números ficaram a desejar para a versão dos palcos. Por exemplo, "Se Prepare" (Be Prepared). O número é excelente até o momento dos dançarinos de hip-hop (vulgo, hienas dançando hip-hop), pois simplesmente não se encaixa na história e nem no número. Depois o próprio "Hakuna Matata", que ficou, ao meu ver, um número simplista até demais. Por outro lado, alguns números que foram acrescentados para a história dos palcos ganharam destaque e melhoraram a história em si, como é o caso de "Está em Mim" (They Live in You / He Lives in You), um número belo e emocionante de se ver. E, infelizmente, a versão brasileira, realizada por Gilberto Gil, ficou a desejar em diversos números, como "Hakuna Matata", "Jantar" e "Ciclo da vida", pois diversas partes da letra simplesmente não se encaixam na métrica. Houve, por outro lado, acerto no texto, como é o caso da Carmen Miranda e do momento em que Zazu está preso cantando. Mas a versificação das músicas ficou a desejar. 

As atuações do musical no Brasil estão muito boas. Tiago Barbosa convence muito bem e emociona como o Simba adulto, assim como os pequenos Simbas. César Mello, Claudio Galvan e Felipe Carvalhido estão muito bem em seus papéis de Mufasa, Zazu e Scar, respectivamente, principalmente Mello como Mufasa. Embora a personagem esteja apagada da história, a atriz Josi Lopes consegue achar seu espaço para o papel de Nala. Porém, a melhor surpresa da peça é a atriz Ntsepa Pitjeng que interpreta o babuíno Rafiki, que conquista o público logo no primeiro número. 

Se você ainda não conferiu o espetáculo, é melhor correr, pois em breve O Rei Leão deixará o palco do Teatro Renaut para que o musical "Mudança de Hábito" (o clássico filme de comédia com a Whoopi Goldberg) chegue em março de 2015. Então, aproveite a chance. Sim, o preço é extremamente salgado, mas vale cada centavo. É uma experiência única e com certeza você sairá do teatro satisfeito ao ter assistido a um excelente musical. É o que é: um marco, tanto para os musicais quanto para a Disney.

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