1 de dezembro de 2014

PAUL McCARTNEY - "OUT THERE": OS BEATLES AINDA VIVEM


É engraçado como as coisas mudam com o passar do tempo. Quando eu era pequeno, meu pai ligava o rádio do carro, colocava na emissora dele (Kiss FM) e deixava por alguns minutos até que, logo em seguida, minha irmã e eu reclamávamos de que a música era muito chata e não dava para entender nada (com quatro anos de idade eu quase não entendia muita coisa de inglês). Foi com os anos que os Beatles começaram a fazer parte de nossas vidas e, após descobrirmos que os integrantes John Lennon e George Harrison não estavam mais entre nós (isso já na juventude), o sonho de ver o grupo reunido ficou apenas como um sonho. Mas eis que agora, ao presenciar pela primeira vez Sir Paul McCartney em sua tour "Out There", a sensação é de que os Beatles ainda estão aí para quem quer ver, vivos e fortes.

Antes do show é importante destacar aquilo que já foi dito sobre o Allianz Parque em alguns meios, mas não por todos: sim, o estádio possui uma infraestrutura incrível e o som não vaza (deu para escutar tudo com perfeição), porém, ainda é preciso fazer alguma parceria com a prefeitura e com os prédios da região (shopping Bourbon e condomínios) para resolver os problemas de alagamento ao redor do estádio. A região da Turiaçu sempre teve alagamento e não é com placas (cof cof prefeitura) que vai resolver o problema. Será que toda vez que chover o público será prejudicado, ficando do lado de fora do estádio, embaixo de chuva e com a rua alagada? No primeiro dia, as pessoas entraram no estádio somente às 20h30. No segundo dia, foi aproximadamente perto das 19h e, enquanto os portões não abriam, o pessoal ficava tomando chuva (o que acabou sendo a realidade da noite inteira para quem ficou na pista, como eu).

Mas vamos falar do show em si. Gostei muito da playlist que McCartney fez para o segundo dia em que se apresentava no estádio. A divisão entre as músicas mais "lentas" e as músicas mais "animadas" que seriam tocadas ao longo do show ficou bem melhor. E que show! Tocar por quase três horas mostra a capacidade e a vontade de McCartney de ser um entertainer de primeira, ainda mais falando em português em diversos momentos, fazendo piadas o tempo todo e agradando o público que vinha com placas e homenagens. É algo que falta em muitos músicos hoje em dia.

E se alguém não estava animado dentro do estádio, com certeza passou a cantar junto em "Live and Let Die", o ápice da apresentação. Com fogos do lado de fora e efeitos dentro do palco, a música ganhou uma força que mexeu com todo o estádio. "Blackbird", por outro lado, foi a apresentação mais linda da noite. A ideia de colocar como cenário uma casa de interior, com a lua no alto e Paul cantando à frente foi incrível, sem palavras. "Hey Jude" também foi um dos grandes momentos da noite, principalmente por ser minha música favorita do grupo e todos no estádio estarem cantando junto.

Mesmo que não seja o artista que sou mais fã, é impossível negar: o show de Paul McCartney da tour "Out There" foi o melhor show da minha vida e creio que será por bastante tempo. Qual será o show em que um artista estrangeiro cantará grandes músicas por quase três horas, fará piadas com o público e ainda terá vontade de falar em português? É, creio que vai demorar mesmo, pois alguém como Paul é difícil de encontrar nos dias de hoje. Essa "molecada" do exterior precisa trabalhar muito para chegar perto dele.

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